quinta-feira, 18 de junho de 2009

A estereotipação dos personagens

Caipira com dente preto e roupas remendadas em junho, cocares e instrumentos de percussão em meados de abril. Esses estereótipos não correspondem à realidade. Homens e mulheres que moram no interior não se vestem dessa maneira, e os índios brasileiros vivem em contextos bem diferentes. "É inconcebível se divertir com base em elementos que remetem à humilhação e à ridicularização do outro", diz Mario Sérgio Cortella, filósofo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em sua opinião, essas práticas destoam da intenção educativa acolhedora e pluralista, pois, toda vez que se trata o outro com estranhamento, se promove a idéia de que há humanos que valem mais e outros, menos. "Quadrilha, sim, mas sem maquiagem nem fantasias grotescas que humilhem o homem do campo", completa Cortella. NOVA ESCOLA- jun. 2009

É por comungar com esse pensamento que o IST (Instituto Social de Tucano) traz/trouxe para as festividades juninas quadrilhas temáticas. Esse ano contemplamos a França adivinhe por quê???!!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Você é professora/professor??? Não deixe de ler esse artigo!

05/06/2009

"Burnout"

Duvido quem saiba o que significa a palavra acima. Eu também não sabia, descobri hoje. Vamos lá: é mais uma deferência aos professores, "burnout" é o novo nome para estresse dos professores. Vocês vão entender melhor no artigo abaixo, publicado na Folha hoje (4/6). Para resumir, o autor vem informar que essa "descoberta" recente de falta de capacitação dos professores é uma falácia e que a verdadeira causa do fracasso na educação é o "burnout" dos pobres professores.

No artigo, é citado o desabafo de uma professora doutora, provando que conhecimento ou capacitação não são requisitos para obter sucesso numa sala de aula, no que eu concordo plenamente com o autor. Depois ele dá a fórmula para o bom desempenho do professor: "Menos turmas por professor, apoio multidisciplinar e tempo para se recompor num trabalho tão intenso".

Vamos analisar a questão.

- Menos turma por professor e apoio multidisciplinar já acontecem nas primeiras séries do Ensino Fundamental, justamente nas quais há mais repetência e evasão.

- Tempo para se recompor também é o que não falta. Além de ser a profissão com maior quantidade de férias, é também a que mais tem folga extra durante todos os meses do ano. Vejam, como exemplo, o próximo feriado de Corpus Christi, dia 11, que cairá numa quinta feira, serão quatro dias de ponte até a segunda da outra semana.

Portanto, mais uma bola fora. Todos esses sabichões não conseguem nem chegar perto da verdadeira causa do nosso estrondoso fracasso escolar.

A "frigidez" da escola: saiba o porquê

Conto um fato para vocês que resume exatamente o que acontece com as tentativas de "curar" a escola. Ouvi de um famoso e conceituado médico ginecologista. Ele contou que certa vez chegou um casal para consultar a mulher que sofria de frigidez. Quem falou durante a consulta foi o marido. Ele descreveu à exaustão o quanto a mulher era fria, sempre deixando implícito que considerava aquilo uma doença e que a trouxera para ser tratada e curada. Após ouvir o marido, o médico pediu à mulher que se dirigisse à sala contígua para ser examinada. E levantou-se para encaminhá-la. Nesse momento, fora do alcance do marido, ela murmurou baixinho para o médico: " Nada vai adiantar, eu não gosto dele".

Entenderam? O médico poderia fazer o melhor tratamento, receitar os mais avançados (e caros) medicamentos, recomendar férias e mais descanso, recorrer até a apoio multidisciplinar, tudo enfim, que nada traria resultados porque a mulher 'não gosta' do marido.

Assim acontece com a escola.

Nada vai adiantar, a escola não gosta das crianças.

A escola não tem coração. Como ensinou Dom Juan ao antropólogo estadunidense, Carlos Castanheda, em sua famosa saga convivendo anos na década de 1960/1970 com o xamã mexicano: " Faça a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma".

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Segue o artigo:

Educação básica: qualificação ou "burnout"?

RUDÁ RICCI
ALGUMAS OPINIÕES divulgadas largamente na grande imprensa criam a falsa impressão (para os leitores, já que pesquisas recentes indicam que a grande maioria dos brasileiros não compartilha dessa análise) de que o problema central da educação básica é a baixa qualificação dos professores.
Esquecem-se dos milhões de dólares investidos nos anos 90 a partir de acordos com o Banco Mundial, carreados para amplos programas de qualificação desses educadores. Os recursos não foram poucos, oscilando ao redor de US$ 100 milhões em programas estaduais que deslocaram professores para uma imersão em longas programações que ocorreram em hotéis confortáveis sob a orientação de consultorias particulares, como foi o caso na reforma educacional no Espírito Santo, para citar um exemplo.
Para quem não vive o cotidiano das escolas públicas de ensino básico, o problema central não aparece: a total falta de tempo e a sobrecarga de trabalho dos professores. Os professores de ensino básico não têm tempo para se prepararem ou acolher os novos projetos que os transformam em meros executores.
A qualificação, então, surge como saída fácil, assim como a premiação por desempenho de alunos.
Carta que a professora Áurea Regina Damasceno enviou recentemente à secretária municipal de Educação de Belo Horizonte insurge-se contra esses palpites porque revela o cotidiano das salas de aula. Por esse motivo, já está se tornando um best-seller na internet. A seguir, reproduzo uma passagem dessa carta.
"Hoje, dia 19 de março de 2009, vou mais um dia para a escola, (...) busco entusiasmo não sei onde, entro para a sala de aula e inicio repetindo o que tenho falado com os alunos desde o primeiro dia de aula: coloquem o material escolar sobre a mesa e guardem a mochila debaixo da carteira ou dependurada no encosto da cadeira (muitos se deitam, durante a aula, na mochila para dormir ou se escondem atrás dela para dar gritos ensurdecedores sem motivo algum ou para atirar bolinhas de papel enfiadas no corpo das canetas esferográficas).
Essa atividade demanda mais ou menos uns 20 minutos, pois metade da sala não ouve ou finge que não ouve, continua a correr pela sala, está virada para trás conversando, está subindo nas bancadas sobre as janelas e de lá pulando de cadeira em cadeira e outros tantos estão a olhar no vazio, sem nada fazer."
A professora Áurea é doutora em educação pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). A carta continua e parece o roteiro do filme "Entre os Muros da Escola" (2008), de Laurent Cantet.
Recentemente, o Sinesp patrocinou uma pesquisa com diretores e especialistas da rede de ensino municipal da capital paulista. Para a maioria, os principais problemas relacionados às condições de trabalho são: acúmulo de funções, demanda burocrática e falta de equipamentos.
É recorrente a crítica às demandas sempre urgentes, sem planejamento ou repetidas que os órgãos superiores do sistema educacional impõem regularmente. O principal problema de saúde apontado (31% das respostas) é estresse e depressão.
A situação se reproduz em diversas outras pesquisas realizadas pelo país. O SindUTE-MG realizou em Minas Gerais pesquisa com professores da rede estadual de ensino básico e constatou o mesmo que em São Paulo. O nome desse fenômeno é síndrome de "burnout". Originário do inglês "burn out" [queimar-se no fogo], significa a síndrome da estafa profissional. Ela foi descrita pela primeira vez pelo psicólogo H. J. Freudenberger, em 1974, para descrever um sentimento de fracasso e exaustão.
Essa síndrome constitui um quadro bem definido, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal. A exaustão emocional representa o esgotamento dos recursos emocionais do indivíduo. A UnB (Universidade de Brasília) já constatou esse fenômeno que acomete professores do ensino básico do nosso país.
Assim, parece urgente um mergulho no mundo real da educação básica para que afastemos opiniões que não conseguem ser algo mais que meros palpites, sem base científica.
A carta da professora Áurea revela que, mesmo sendo doutora, não tem as condições mínimas para fazer valer esse título. A reorganização do tempo e das condições básicas de trabalho é a pauta urgente do momento. Menos turmas por professor, apoio multidisciplinar e tempo para se recompor num trabalho tão intenso é o mínimo que se pode exigir.
* RUDÁ RICCI, sociólogo, doutor em ciências sociais, é consultor do SindUTE-MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) e do Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo). rudaricci.blogspot.com

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Simetria-assimetria

Eu descobri:
todas as novelas são iguais.
Todos os homens depois de casados são iguais.
Todos os namorados são iguais.
Todos os amantes tornam-se iguais.
Todas as missas baianas e nacionais são iguais.
Todos os adolescentes
são iguais.
Todos os professores com mais de vinte anos na profissão
são iguais.
Todas as mulheres possessivas
são iguais.
Todas as mulheres ciumentas
são iguais.
Todos os discursos feministas, religiosos, políticos, acadêmicos e patriarcais são iguais
e todos, todos
os discursos liberais são enfadonhamente iguais.

Todos os políticos do mundo são iguais.
Todas as promessas políticas são iguais.
Todos os beijos, iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os relacionamentos.
O fim de um relacionamento é igualíssimo.
Todas as promessas são iguais.
Todas as posturas; democrática, ditadora, solidária ou egoísta, são iguais.
Contudo, uma mulher não é igual a nenhuma outra mulher, ou outra fêmea do reino.
É única, especial...
Porque, todo ser humano é um estranho
ímpar.

Iraildes Pereira de Matos- 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

DESCOBERTAS ( Em processo de construção)

Nós descobrimos que os advérbios são palavras que dizem como são os sentimentos e as ações de alguém. Eles estão ligados ao verbo. São uma classe de palavras invariáveis. A função dos advérbios é dizer a forma das ações.

Alunos da 4ª série do IST


( Foi mantida a linguagem dos alunos)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Produção da 4ª do IST

Fiquei de castigo
Caí embaixo do armário
Bati a cabeça na privada
Derramei um copo de suco
Furei a cabeça
Caí da cadeira
Li um livro.
Brinquei de boneca
Rodei bicicleta
Torci meu dente.
Tirei foto
Quebrei um copo
ganhei um cachorro
Caí da escada
Qubrei a cara
Me joguei no chão.
Torci meu pé
Levei um tombo
Caí da cama
Andei de cueca.


Sugestões de títulos: "Dia-a-dia", "Coisas de crianças", "Nossos micos", "Nossas trapalhadas", "Armações, mancadas", "Aventuras de crianças".

Autoria: estudantes da 4ª série do ensino fundamental I- Escola: Instituto Social de Tucano

domingo, 15 de março de 2009

Gincana Cultural do IST


A galerinha arrasou!!! Veja a carinha dos participantes!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Leitura compartilhada

RESTOS DO CARNAVAL

Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.

No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça - eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável - e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas - à idéia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha - mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quando ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.

Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.

Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.

Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido, sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.

Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998

sábado, 24 de janeiro de 2009

Estreitando laços

Vinte e quatro de janeiro é um dia que me deixou marcas profundas, mas é o dia também que recebi um email da Profissão Mestre e como de costume, abri e li. Dentre os conteúdos abordados na revista, havia um que chamou a minha atenção: Como criar um blog. Fiz a leitura na íntegra da matéria e aqui estou, inaugurando mais uma "novidade" que a era tecnológica nos proporciona. Se a idéia é criar laços, estreitar a relação com meus alunos, estou eu aqui, disposta a aprender com uma galerinha que sei que tem muito a me ensinar.
Um grande beijo e desculpa pela falta de jeito aqui. rs

Apresentação

Sou educadora, atuo na área de ensino fundamental I e II e estou criando esse blog com o intuito de estreitar os laços com meus alunos no que concerne à aprendizagem.